Boa noite, Carlos, tudo bem?
Vi que já tem ótimas respostas, e, diferentes visões de diferentes profissionais, mas, passo aqui para deixar meu relato para você.
Sou médico, formado em 2024.1, pela UFOP, e, por ser natural de Belo Horizonte, logo que me formei, retornei para BH, onde hoje vivo com minha esposa, também médica, que tem RQE em Clínica Médica.
O mercado médico está saturando, sem sombra de dúvidas... cada vez mais vemos plantões não tão bem remunerados sendo cobertos com bastante rapidez, mas, ainda acredito, que independente da sua especialidade, prevalecem os profissionais com qualidade no serviço prestado.
No início é difícil conseguir os primeiros plantões, e, o QI ajuda muito, mas, uma vez que entrar em algum serviço, em 99% dos casos, será a qualidade do trabalho desempenhado por você que definirá se será mantido ou retirado de lá. E, a partir do momento que se estabelece como um profissional bom, as oportunidades surgem, muitas vezes sem possibilitar uma rotina, principalmente como recém formado, que atuará na maioria das vezes na cobertura de plantões, mas, que é mais do que suficiente para ter uma agenda cheia de trabalho e com boa remuneração.
Atualmente, trabalho uma média de 60h semanais, algumas semanas pouco a menos e algumas pouco a mais. Tenho contrato com a PBH de 12h semanais, que paga bem pouco o plantão, mas, é algo certo, todo quinto dia útil do mês está na conta, e, além disso, trabalho via PJ em um serviço que paga 1.400,00 bruto o plantão de segunda dia a sexta dia, e, 1.500,00 bruto o plantão de sexta noite a domingo noite.
Quanto a questão salarial, desde que me formei, tenho uma renda média de 20 mil reais líquidos, e, hoje não me vejo com disponibilidade de tempo e dem disponibilidade física para trabalhar e ganhar mais que isso, mas, se seu objetivo for somente financeiro, você consegue retornos ainda maiores com a nossa profissão.
Até hoje, ainda existem muitas ofertas de emprego, então, em alguns momentos, ainda verá plantões descobertos mesmo com "pagamento a vista" ou proposta de "horário parcial" a fim de cobertura imediata.
Diante do planejamento de me casar em 2025 (me casei em fevereiro deste ano), e, com minha esposa, no momento do planejamento, fazendo residência de clínica médica, optei por não fazer residência direto. Além disso, vim de uma realidade de onde nunca me faltou nada, mas, que o dinheiro muitas vezes era contado, isso quanto a conta não ficava no negativo, portanto, optei trabalhar, criar um colchão financeiro primeiro, e, cuidar da minha prioridade, que é a constituição e manutenção da minha família.
Não me arrependo da minha escolha, mas, é inevitável fazer residência médica. Em um mercado cada vez mais cheio, e, com profissionais cada vez mais superficiais (em conhecimento), é o trabalho da residência que te lapida e te faz crescer.
Por si só, em grande parte das especialidade, a residência até te abre portas, mas, não substitui a necessidade de marketing, e, outras estratégias de publicidade / visibilidade associadas, para que possa vender seu serviço e de fato alcançar uma remuneração diferenciada. Portanto, é difícil falar sobre salários para especialista / subespecialista, pois, dependerá muito da especialidade, e, de como trabalhará.
Por fim, a escolha da especialidade eu confesso que ainda é um desafio pra mim, mas, a cada dia que passa e, à medida que vou trabalhando, observo que na nossa profissão (diante de tamanha pressão), é difícil alguém se sustentar apenas por retorno financeiro / conveniência. É necessário gostar, pelo menos minimamente do que você faz, e, em uma profissão até então muito privilegiada, os retornos serão consequência do seu bom trabalho, muito mais fácil de ser realizado, se for em algo que você gosta.
Espero que meu relato tenha te ajudado, e, estou a disposição se quiser tirar qualquer dúvida, sobre a profissão, vida de recém formado ou o que for.
Grande abraço,
Matheus Paulino Soares