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Olá, pessoal! Estou num momento relativamente delicado na minha carreira e gostaria muito do ponto de vista de vocês para me dar uma luz.

Tenho 22 anos, estou no último ano da faculdade de Engenharia de Produção, que dá inúmeras possibilidades de atuação no mundo corporativo. Moro com minha mãe, numa cidade que, apesar de ser região metropolina, não tem muitas grandes empresas. Minhas experiências de trabalho:

- Comecei estagiando em consultoria empresarial na minha cidade durante um pouco menos que um ano. Apesar de ter aprendido bastante, estava bastante ociosa e estagnada, além de, por ser a primeira experiência tinha vontade de experimentar outras áreas;

- Logo depois fiquei 4 meses em um estágio remoto de verão em um banco, focado em automação de processos internos. Nossos gestores não davam muita bola e tínhamos que tentar arranjar o que fazer, e quem se dava melhor eram as pessoas de tech, o que não era minha área e nem um interesse meu;

- Quando o estágio finalizou, fiquei 9 meses parada, fazendo networking pelo LinkedIn, pesquisando outras empresas, principalmente remotas, e áreas que me despertassem curiosidade. Isso já era por volta do meu 6° semestre. E foi aí que consegui uma vaga de Analista Jr. numa startup em consultoria de inovação, remotamente, onde fiquei por quase 2 anos. Aprendi muito, muitas oportunidades me foram dadas, porém a carga de trabalho somada a faculdade começou a me afetar bastante. Por ser uma startup, o ritmo era muito acelerado, o time bastante enxuto, e os projetos seguiam chegando. Com menos de 1 ano de empresa, comecei a apresentar sintomas de burnout, porém por medo de perder a oportunidade e não saber para onde ir em seguida, aguentei por mais alguns meses, e fui construindo uma reserva para que continuasse tendo uma renda quando saísse, até que ficou insustentável, e comecei a ficar deprimida. 

Hoje já estou na terapia e estou melhor, porém a sensação é de estar perdida. Penso que meu primeiro estágio foi onde senti mais satisfação, mas ainda acho que conheço pouco do mercado para saber que área posso construir carreira sólida. Penso que gosto do setor alimentício, fazer consultoria para restaurantes ou ter um cargo de gestão dentro de um, por exemplo, pensei também em tentar entrar no mercado de hotelaria. Por fim, já dando uma "viajada", comecei a pesquisar programas de trainee para me inscrever em alguma grande empresa e que provavelmente teria um plano de carreira sólido com melhor remuneração do que as outras opções que citei, porém provavelmente teria que me mudar da minha cidade, o que não sei se estaria pronta nesse momento. 

E, justamente por não saber a área que será o meu próximo emprego, ainda não sei que pós-graduação ou curso de especialização eu faria após me formar, então me encontro bastante estagnada e sem visão de futuro. Estou pesquisando vagas nessas áreas que citei, porém por enquanto nenhuma está aberta para inscrições. Fui aconselhada pela minha família a ir me inscrevendo e não me preocupar demais em achar "meu propósito" ou com remuneração, mas confesso que é um pouco difícil procurar quando você não sabe por onde começar. No meu último emprego, foram 9 meses procurando até conseguir, e tenho medo de demorar ainda mais para encontrar algo que me traga uma visão de futuro.

O que fariam no meu lugar? Por onde começar?

Postado

Primeiro: fica tranquila. Você tem 22 anos, tempo ao seu favor e já está fazendo algo que muita gente demora anos para fazer: parar, refletir e tentar organizar o caminho, além de já estar aqui na AUVP... Quem me dera ter essa clareza com 22, rs.

Mas antes de qualquer decisão grande, eu priorizaria ficar bem. Burnout e depressão são coisas sérias. Já passei por isso pessoalmente e também com a minha esposa, e posso te falar: não tem mágica nem milagre. O caminho é acompanhamento profissional, sono, alimentação, exercício e rotina minimamente saudável. Parece básico, mas é a receita de voltar a ficar bem.

Dá para continuar olhando vagas e pesquisando caminhos, mas sem se atropelar. Talvez colocar um prazo ajude: “até janeiro vou focar em me cuidar, me formar e pesquisar opções com calma”.

Sobre propósito, eu tomaria cuidado para não travar esperando uma resposta perfeita. Na vida real, o caminho não vem pronto e bonitinho. A gente vai vivendo, testando, errando, ajustando e as coisas vão fazendo sentido com o tempo.

O Ikigai, que o Raul comenta, pode ajudar bastante: tenta cruzar o que você gosta, no que você é boa, pelo que pode ser paga e o que o mundo/mercado precisa. Talvez hoje você ainda não tenha a resposta final, e tudo bem. O importante é ir aproximando as escolhas desse cruzamento.

Então eu começaria simples: cuidar da saúde, terminar a faculdade, mapear áreas que te interessam e testar caminhos sem colocar o peso de “decidir o resto da vida” agora.

E, de verdade, você está no caminho. Está estudando, refletindo, buscando ajuda e pensando no futuro. Isso já é muita coisa.

Esse vídeo do Raul sobre Ikigai pode te ajudar bastante:
https://www.youtube.com/watch?v=BgLy8sMiUTg

E esse papo antigo sobre busca de propósito também é muito bom:
https://youtu.be/NbgY6PUL8JY?si=Fpkqus47mB-nfJ8I&t=810

Se cuida, fique bem e sucesso!

  • Brabo 2
  • Aí cê deu aula... 1
Postado (edited)

Eu hoje tenho 28 anos e essa é uma questão pela qual também passei. A diferença é que, no meu caso, a falta de oportunidades nem me permitia escolher em que área da minha profissão eu queria atuar. Eu simplesmente fazia o que aparecia, porque as opções eram muito limitadas.

Desde a universidade até hoje, me mudei de cidade três vezes em busca dessas portas que iam se abrindo. Fui seguindo as oportunidades que surgiam e aprendendo no caminho. O maior aprendizado que tive nesses anos é que, muitas vezes, a gente descobre o caminho fazendo. Depois de muita reflexão, percebi que não tem como adivinhar qual é a melhor escolha além dos critérios mais objetivos , e isso eu acho que você conseguiu considerar muito bem.

Então, meu conselho é o seguinte: primeiro, priorize a sua saúde. Sem ela, nada mais importa. Não existe dinheiro, promoção ou cargo alto que compense perder a saúde.

E, segundo, não tenha medo de começar por qualquer uma das opções que você está considerando. Nada impede que você mude de direção depois. Muito pelo contrário: qualquer uma delas vai te fazer aprender, crescer e te dar mais clareza sobre o que faz sentido para você.

Aposte na sua capacidade de perceber, ao longo do caminho, quando é a hora de mudar, e não tenha medo dessa mudança. No fim das contas, o peso maior não está na escolha do caminho, mas em insistir em uma escolha que já não faz mais sentido depois que você percebeu que existe uma opção melhor.

desejo apenas o melhor!!

Editado por Thainá Espínola Gomes
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Olá, minha querida! 

Apenas complementando nossos colegas.

Como já dito, você é muito nova e talvez falte um pouco de vivência para entender que viver é como velejar em alto mar, com uma taxa de imprevisibilidade enorme! Mas, tudo que você precisa fazer é focar no que realmente pode controlar: o cuidado com sua saúde, a faculdade, seu bem estar no geral. Como o tempo, você vai aprendendo a respirar e a "soltar" aquilo que não está sobre seu controle.

No entanto, tentando ser um pouco mais útil em meu comentário, quero dizer que já passei por essa zona de incerteza.

Aos 18 anos, consegui aprovação no curso de Engenharia Elétrica na federal do meu estado, mas não consegui chegar nem ao fim do primeiro semestre, pois a jornada do curso exigia condições que eu sabia não poder cumprir. E, o que eu fiz? Simplesmente larguei, afinal, não era o que eu procurava e o que eu precisava.

Aos 19, pensando num caminho que pudesse me trazer a estabilidade que queria, resolvi ouvir um cara que dizia "Passa num concurso e resolve tua vida, que isso vai te dar mais tranquilidade para organizar os próximos passos". Então, apesar de muitas dificuldades, aos 21, consegui aprovação no cadastro reserva de um concurso estadual e "esperei" até os 24 anos para tomar posse. E, nesse intervalo, do concurso à posse, vivi desafios que nunca imaginei experimentar, mas que foram essenciais para desenvolver essa capacidade de "soltar" e confiar no alinhamento dos fatores, a partir do que eu já havia plantado.

Hoje, aos 25, não vivo a vida perfeita que eu sonhava nem posso dizer que minha vida está definida, mas tenho certeza que ter ouvido aquele cara foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado.

Óbvio, não sou exemplo. Na verdade, talvez possa ser até uma exceção. Mas, é importante entender que existe um momento para todas as coisas, as quais virão até você pela sua dedicação e pela sua fé.

Postado
On 09/07/2026 at 12:01, Convidado Anônimo disse:

Olá, pessoal! Estou num momento relativamente delicado na minha carreira e gostaria muito do ponto de vista de vocês para me dar uma luz.

Tenho 22 anos, estou no último ano da faculdade de Engenharia de Produção, que dá inúmeras possibilidades de atuação no mundo corporativo. Moro com minha mãe, numa cidade que, apesar de ser região metropolina, não tem muitas grandes empresas. Minhas experiências de trabalho:

- Comecei estagiando em consultoria empresarial na minha cidade durante um pouco menos que um ano. Apesar de ter aprendido bastante, estava bastante ociosa e estagnada, além de, por ser a primeira experiência tinha vontade de experimentar outras áreas;

- Logo depois fiquei 4 meses em um estágio remoto de verão em um banco, focado em automação de processos internos. Nossos gestores não davam muita bola e tínhamos que tentar arranjar o que fazer, e quem se dava melhor eram as pessoas de tech, o que não era minha área e nem um interesse meu;

- Quando o estágio finalizou, fiquei 9 meses parada, fazendo networking pelo LinkedIn, pesquisando outras empresas, principalmente remotas, e áreas que me despertassem curiosidade. Isso já era por volta do meu 6° semestre. E foi aí que consegui uma vaga de Analista Jr. numa startup em consultoria de inovação, remotamente, onde fiquei por quase 2 anos. Aprendi muito, muitas oportunidades me foram dadas, porém a carga de trabalho somada a faculdade começou a me afetar bastante. Por ser uma startup, o ritmo era muito acelerado, o time bastante enxuto, e os projetos seguiam chegando. Com menos de 1 ano de empresa, comecei a apresentar sintomas de burnout, porém por medo de perder a oportunidade e não saber para onde ir em seguida, aguentei por mais alguns meses, e fui construindo uma reserva para que continuasse tendo uma renda quando saísse, até que ficou insustentável, e comecei a ficar deprimida. 

Hoje já estou na terapia e estou melhor, porém a sensação é de estar perdida. Penso que meu primeiro estágio foi onde senti mais satisfação, mas ainda acho que conheço pouco do mercado para saber que área posso construir carreira sólida. Penso que gosto do setor alimentício, fazer consultoria para restaurantes ou ter um cargo de gestão dentro de um, por exemplo, pensei também em tentar entrar no mercado de hotelaria. Por fim, já dando uma "viajada", comecei a pesquisar programas de trainee para me inscrever em alguma grande empresa e que provavelmente teria um plano de carreira sólido com melhor remuneração do que as outras opções que citei, porém provavelmente teria que me mudar da minha cidade, o que não sei se estaria pronta nesse momento. 

E, justamente por não saber a área que será o meu próximo emprego, ainda não sei que pós-graduação ou curso de especialização eu faria após me formar, então me encontro bastante estagnada e sem visão de futuro. Estou pesquisando vagas nessas áreas que citei, porém por enquanto nenhuma está aberta para inscrições. Fui aconselhada pela minha família a ir me inscrevendo e não me preocupar demais em achar "meu propósito" ou com remuneração, mas confesso que é um pouco difícil procurar quando você não sabe por onde começar. No meu último emprego, foram 9 meses procurando até conseguir, e tenho medo de demorar ainda mais para encontrar algo que me traga uma visão de futuro.

O que fariam no meu lugar? Por onde começar?

Cara, tenho 31 e estou longe do que gostaria quando me imaginava na faculdade. Mas sigo na luta, hoje trabalho com algo que não gosto, mas porque enquanto corro atrás dos meus sonhos ainda preciso me manter.

Dito isso, acho que primeiro deveria começar num emprego, seja ele qual for- como o próprio Raul diz: "O melhor lugar pra achar um emprego é dentro de um emprego". Lá você vai estar com a cabeça mais tranquila pra se inscrever em diferentes oportunidades e com alguma estabilidade.

A ideia de um caminho único para um fim é ilusão, cada vivência terá pontos, experiências e visões únicas. Não se prenda a onde quer chegar, mas nos caminhos que se abrem a sua frente. Você é novo demais, conhece pouco do mundo ainda, não tente se restringir agora (falei como se tivesse vivido muito kkkk Mas meu pai no auge dos seus 70 sempre me disse isso e nunca errou, sempre que foquei no destino me dei mal e, quando olhei pro presente, me dei bem).

  • Brabo 2
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Primeiro, fica tranquila!

Quase todo mundo passou por essa confusão de carreira e você é bem nova ainda, tem bastante tempo para testar algumas opções e ajustar a rota, se necessário.

Digo isso por experiência própria: hoje tenho 34 anos e consigo dizer bem o que funciona e o que não funciona pra mim no ambiente de trabalho, mas fui militar (academia da força aérea e depois marinha mercante), passando por engenharia naval, me formei e me pós graduei em direito, mas acabei trabalhando melhor com tech e hoje me especializei em crédito e energias renováveis.

Ao longo do caminho, eu descobri que gosto de um ambiente dinâmico em relação a temas, então me encontrei bem na área de novos negócios, onde o dia a dia não é repetitivo.

Acho que minha dica é você ir delimitando o que é inegociável para você: por exemplo, se você não se sente confortável para sair de casa, a vaga tem que ser na sua cidade ou remota. Se você quiser um ambiente de crescimento rápido, provavelmente start ups ou empresa com intra empreendedorismo forte, especialmente de tech, podem ser um caminho, mesmo que você não atue em tech em si. Mas se preferir um caminho mais definido, aí uma empresa de grande porte pode fazer mais sentido.


Eu acho que esse texto aqui (https://www.mckinsey.com.br/capabilities/people-and-organizational-performance/our-insights/how-women-can-steer-toward-growing-industries-and-companies) tem boas dicas, talvez valha dar uma lida! O mercado tá em fase de transição, por conta da IA, então estamos vendo muitos novos cargos aparecendo e muitas posições que já existiam se redefinindo.

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