Que relato bom de ler. Eu já tive negócios de alimentação e tem que ter muita estratégia!
Você trouxe um ponto que provavelmente conversa com muita gente aqui, principalmente quem empreende em negócios de margem apertada, operação pesada e muita variação de custo.
Restaurante é um daqueles negócios em que faturamento sozinho pode enganar bastante, porque a casa pode estar cheia, o delivery pode estar rodando, o cliente pode estar voltando, e ainda assim a sensação ser de aperto constante. Muitas vezes o problema não está na demanda, mas no quanto cada venda realmente deixa no caixa depois de insumo, equipe, desperdício, embalagem, taxa de aplicativo, energia, aluguel e tempo de operação.
Sobre oferecer além do que a margem permite, acho que essa é uma pergunta muito importante. Às vezes, na tentativa de fidelizar, o negócio vai colocando mais benefício, mais volume, mais entrega, mais “agrado” e sem perceber começa a educar o cliente a pagar pouco por muito. Aí o cliente ama, mas a conta não fecha com a mesma intensidade.
Talvez um bom caminho seja olhar para três coisas com bastante frieza.
O que mais vende, o que mais dá margem e o que mais dá trabalho. E ser estratégico com o que você vai fazer com esses dados. Eu odiava tirar produto que eu achava delicioso do meu cardápio... mas é a vida. O caixa é rei, se não me dá retorno não tem espaço no meu menu.
Nem sempre o item campeão de venda é o item que sustenta o negócio. E nem sempre aquilo que o cliente mais elogia é o que mais vale a pena manter do jeito que está.
Se vocês já têm bom faturamento, fidelização e demanda, parece que existe valor percebido. Agora talvez a provocação seja menos sobre vender mais e mais sobre entender onde o lucro está escapando.
Precificação em restaurante não é só “quanto o mercado aceita pagar”. É ficha técnica bem feita, margem por produto, CMV, controle de desperdício, aproveitamento de insumos documentado na ponta do lápis, revisão de cardápio, análise do delivery separado do salão e coragem de ajustar o que ficou barato demais para a operação que vocês construíram.
E parabéns pela trajetória. Passar por 2011, pandemia, inflação, mão de obra e alta de insumos mantendo o negócio vivo, com cliente fiel e demanda, já diz muita coisa sobre a força da operação de vocês. É coisa de ajustar os ponteiros para não ter que pagar pra trabalhar.