Eu vejo de uma forma um pouco diferente.
Se a empresa está saudável, tem caixa e não existe uma necessidade clara para o recurso, não faz muito sentido contratar uma dívida apenas porque ela está disponível ou porque a taxa parece atrativa.
O primeiro ponto é que crédito tem custo. Mesmo uma linha subsidiada ou com juros abaixo do mercado continua sendo uma despesa financeira. Para a estratégia funcionar, o retorno líquido dos investimentos precisaria superar o custo da operação de forma consistente, considerando impostos, oscilações e eventuais mudanças no cenário econômico.
O segundo ponto é que você está aumentando o risco sem necessariamente aumentar o resultado do negócio. Hoje a empresa não tem dívida. Ao contratar um empréstimo sem necessidade, você cria uma obrigação mensal que antes não existia. Pode parecer leve agora, mas em uma eventual queda de faturamento, mudança de mercado ou oportunidade inesperada, essa obrigação continua lá.
Outro aspecto é que limite de crédito não precisa ser usado para existir. Muitas vezes o mais valioso é manter um bom relacionamento com o banco, histórico saudável e capacidade de contratação quando realmente surgir uma oportunidade que justifique a alavancagem, como expansão, compra de equipamentos, aquisição de concorrente ou aumento de estoque com retorno esperado.
Na minha visão, dívida barata continua sendo dívida. Se não existe um projeto com potencial de retorno superior ao custo do crédito, nem uma necessidade de reforço de caixa, o cenário mais racional costuma ser simplesmente não pegar o recurso. Afinal, o melhor empréstimo é aquele que você tem acesso quando precisa, e não necessariamente aquele que você contrata quando não precisa.